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Entrevista: Miqueas dos Santos |
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Escrito por Giovanni Sena
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Conversamos com o baixista que acompanha o cantor Fagner.
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ENTREVISTA COM MIQUEAS DOS SANTOS
Miqueas, poderia descrever como foi a sua formação como músico?
Miqueas dos Santos: Comecei tocando em igrejas aos 16 anos. No início tocando guitarra, mais ou menos 1 ano depois passei a tocar contrabaixo. Quando comecei a dar aulas me enteressei mais a estudar. Passei a andar com livros de música e quando não entendia pedia auxilio a outros músicos mais experientes. Tenho a sorte de ter trabalhado e trabalhar com excelentes músicos e sempre digo que são eles quem me ensinam!
P or que Baixo Elétrico?
MS: Achei que seria mais fácil de tocar (risos). Quando percebi que estava muito enganado tive que correr atrás e estudar.
Você é conhecido como um ótimo músico. Sabemos que trabalha com muitos artistas diferentes no Ceará. Tém algum segredo para toda essa conquista?
MS: Além de tentar desempenhar bem a minha função como baixista, tenho um ótimo relacionamento com os “colegas” e pontualidade sempre. Isso abre portas para os trabalhos. Sempre tento me adaptar ao tipo de trabalho que vou fazer.
Como você descreve o cenário musical no Ceará?
MS: O Ceará é um celeiro de bons músicos e a cada dia aparecem novos talentos, embora não falte trabalho, o mercado não comporta todo mundo. É muito comum encontrar músicos que tocam um determinado genero musical, mas sem gostar do que esta tocando. A quantidade de bons mùsicos ainda é bem maior que a quantidade de bons trabalhos.
Você mantém um programa de estudo no baixo?
MS: Sempre adapto os estudos à necessidade. Normalmente tento manter um equilibrio entre: leitura, repertório, harmonia, improvisação e técnica.
Atualmente você trabalha com o Fagner, um dos mais renomados artistas/compositores brasileiros. Como é trabalhar com essa importante figura da Música Brasileira?
MS: Trabalhar com o Fagner é mais uma escola. Com o Fagner o baixo tem que estar presente, sem solos, porém sempre na cara. Não deve ser timido. O Fagner gosta de ver o baixista tocar e ouvir o baixo participando da música, por isso, toco tendo cuidado com os excessos de informações.
Além do trabalho com o Fagner, Tem algum outro trabalho que gostaria de falar sobre?
MS: Claro, tem o Projeto Timbral, que tenho como parceiro e grande músico e amigo, o guitarrista Lu de Souza, onde tocamos músicas instrumentais de nossa autoria e temos como registro o CD e DVD gravado no Festival de Jazz e Blues de Guaramiranga. Também com o Projeto Timbral fazemos a produção de CDs de vários artistas e ministramos workshops.
Tem também o quarteto Marimbanda que toca musica instrumental Brasileira e tem como registro 2 CDs gravados.
Qual seu Setup atual?
MS: Tenho um Music Man Sting Ray 5 e um Fretless, montado apartir de um baixo Warwick, com apenas um captador Bartolini. Esse baixo foi um presente de um amigo, o “luthier” Marcelo Martins. Também uso um Jam Mem octave polifônico, que é um looper e um micro pog e em casa estudo numa Hartke Kick Back 12.
Quais são seus projetos para o futuro?
MS: Com o Projeto Timbral, estamos nos preparando para a gravação do nosso segundo DVD somente com o Trio (baixo, bateria e guitarra). Também estamos na expectativa para se apresentar em festivais fora do país, já que fomos aprovados nas primeiras eliminiatorias.
E com a Marimbanda estamos nos preparando para gravação do nosso terceiro CD e provavelmente mais uma turnê pela França, como fizemos no ano passado.
Para finalizar poderia deixar uma mensagem para os baixistas e leitores do Baixista.com.br
MS: Uma vez fui gravar uma faixa de um disco. Uma dessas faixas
onde o baixista pode mostrar serviço em um groove cheio de notas com
muito “swing”. Não pensei duas vezes e desci o dedo. Quando o produtor
chegou e falou: “Muito bom , muito bonito mas quero o baixo tocando
menos”. Então regravei a faixa tocando menos notas e tentei manter o
“swing”. O produtor entrou de novo, ouviu a música e mandou tocar
menos. A cena se repetiu por mais 3 vezes. Eu gravando e ele me
mandando tocar menos. No final eu já estava achando o groove muito
simples e não via mais o tal “swing” em lugar nenhum. O produtor entrou
novamente e falou pra eu tocar menos, mas como estava demorando que
poderia deixar daquele jeito mesmo...
Senti-me mal por não entender o que seria aquele “tocar menos”, pois
achava que já havia tirado o máximo de notas a ponto de achar o groove
sem graça.
Um tempo depois voltando ao mesmo estudio, o técnico da época da
gravação, colocou a dita faixa pra tocar sem saber que eu tinha gravado
a mesma. Quando ouvi achei tudo perfeito. Tudo estava no lugar. Foi aí
que percebi que quando estava gravando eu ouvia a mùsica do ponto de
vista do baixista e o produtor, que também é músico, ouvia do ponto de
vista da música.
Pode parecer a mesma coisa, mas são bem diferentes.....PENSEM NISSO!
Muito obrigado a todos do site e parabéns pela iniciativa, contem sempre comigo!
Abraços,
Miqueias dos Santos
Giovanni Sena -
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Baixista profissional e colaborador
www.baixista.com.br
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+ Sobre Giovanni Senna
Baixista desde: 1991
Primeiro Baixo: Não tinha marca
Baixos Atuais: Warwick LX Streamer 5 cordas, Music Man Stingray 4 cordas, Jazz Bass Squier by Fender.
Formação musical:Formado em licenciatura em Música pela Universidade de Brasília. Formado em baixo elétrico pela Escola de Música de Brasília.
Favoritos: Arthur Maia, Luizão Maia, Sizão Machado, Jamil Joanes, Thiago do
Espírito Santo, Steve Wonder, Miquéias dos Santos, Nélio Costa, Aroldo
Araújo, Sergio Groove, Primata, Oswaldo Amorim, Ximba Uchiama, etc
Bandas: Trio MP4, Dr. Scotch, Miss Voiss
Localização: Brasília/DF
Myspace: www.myspace.com/giovannisenabass |
Importante: O Baixista.com.br é um veículo livre. O conteúdo dessa coluna não reflete obrigatoriamente a opinião do site como um todo. Sendo de total responsabilidade dos respectivos colunistas as opiniões, informações e dicas aqui publicadas.
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Comments
Essa entrevista foi uma das melhores que já li aqui.
a última resposta é um grande aprendizado para todos nós.
Obrigado Míqueias!!!
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