Luis, você é considerado uma referência como baixista de rock desde que seu nome teve proporções nacionais. Poderia nos falar como foi construir uma carreira tão consolidada desta forma, em um país que não apóia de maneira satisfatória a cultura?
L. Mariutti: Acho que tivemos sorte de já no primeiro disco do Angra trabalharmos fora do Brasil com produtores de muita experiencia.A partir desse ponto vai a sua capacidade de compreender qual o nível q você tem que chegar como músico (em gravações e shows) e se esforçar para alcançar.
No Brasil temos músicos muito bons q as vezes por falta de informação e até de produtores de nível, q não conseguem se destacar. O q falta aqui é apoio para trazermos produtores experientes para trabalhar com as bandas, hoje temos bons musicos boas bandas e pessoas q sabem mexer no computador mas se dizem produtores e acabam estragando trabalhos e prejudicando bons talentos.
A primeira vez que vi você tocar de perto, foi através da sua vídeo-aula. Fiquei impressionado pela velocidade e precisão que você tem, desde aquela época. Qual foi seu treinamento para ser tão rápido e preciso na técnica de “pizzicato”?
L. Mariutti: Quando estava começando, tinha a vontade de tocar muito rápido como o Steve Harris. Treinei muitas horas por dia, passei muita coisa de guitarra para o baixo, tentando melhorar a técnica e nas gravações sempre tentava acompanhar o bumbo duplo com os dedos.De alguma forma deu resultado, mas logo na minha primeira gravação vi q se vc não tocar tudo q criou com pegada e interpretação, não vale para nada.O som não sai bom, não tem precisão etc...
Por isso acho legal tocar rápido, mas no estúdio, para gravar um disco de forma profissional, precisa mais do q só velocidade.
Você mantém um programa de estudo no baixo? Se sim, poderia descrevê-lo?
L. Mariutti: Hoje em dia me sinto livre para estudar o q eu achar legal. Gosto de estar tocando com a bateria, fazendo um som. Como dou aulas sempre estou revendo a parte teórica e sempre tentando bolar algo novo para os alunos, mas não tenho uma regra para estudo hoje. Em primeiro lugar tento estar sempre em forma com as músicas q estou tocando na tour e depois o q eu achar legal para complementar, eu estudo.
Ontem mesmo estava vendo um método do Zaganin e achei bem legal, então fiquei estudando com esse método, mas quando comecei, dividia o tempo entre tecnica, teoria e as musicas da banda, umas 7 a 8 horas por dia.
Levando em consideração o nosso instrumento, poderia nos detalhar como foi o processo de gravação e como foi captado o sinal do seu baixo nos discos do André Matos?
L. Mariutti: Sempre gravei usando dois canais, um vindo do ampli via microfone e um do pedal.
Isso é legal quando vc tem um ampli de primeira linha , se não, é melhor usar só um bom pré, o sinal vindo de um pedal bom (sans amp, MXR) e pronto.Mas não podemos nos esquecer q o principal é a mão e o baixo.
Antigamente você usava baixos de 04 cordas. Qual o motivo da mudança para baixos de 05 cordas?
L. Mariutti: Nada muito especial além de querer em alguns sons um b,um d grave , pois no metal muitas horas é legal vc ter esse recurso.Mas na verdade todos os meus "ídolos" tocam em 4 cordas.(Steve Harris, Lemmy, Geezer Butler...)
Qual o seu “set-up” atual?
L. Mariutti: Baixos Warwick Vampyre NT, Ampli Marshall 400, caixas 4x10" 2x15", Pedais MXR, Ratt distortion e Cordas Elixir 0.50
Luis, em relação ao mercado musical nacional, quais as mudanças que você percebe comparando com os tempos de início de carreira?
L. Mariutti: Hoje em dia está muito mais difícil.As coisas acontecem muito mais rápido e vc tem q correr atrás com lançamento de disco etc...
Com a internet, a coisa ficou mais democrática, mas quem tinha apoio de gravadora com adiantamentos para gravar, suporte para clipe, tour etc,não tem mais.
Hoje a banda q não tem empresário tem q fazer pelas próprias mãos.De uma forma é legal, pq vc tem q correr atrás e de outra o público tem q ser seletivo, pois rola muita merda tbém.
Tendo tocado em diversos lugares fora do Brasil, surge uma curiosidade. Por que, na maioria dos casos, o publico brasileiro só reconhece o trabalho de um artista depois que esse cria “nome” lá fora?
L. Mariutti: É uma coisa cultural do brasileiro. Acho q em todos os segmentos é assim,parece q temos um certo preconceito de q tudo q é feito 100% aqui não é tão bom qto fora. Até em relação a ser artista no Brasil.Aposto q se não existisse o AC/DC por ex e uma banda daqui surgisse com um guitarrista vestido de escolar, iriam tachar o cara de ridículo. Mas é algo q com o tempo vai cair, é só os músico não ligarem e tentarem ser o mais original possível, sem esquecer da qualidade.
Luis, você teve aulas de música? Se sim, com quem você estudou?
L. Mariutti: Estudei 3 anos com o Marcio Vitulli q foi baixista do Jaguar e do Andre Christovam,para mim o melhor baixista q vi aqui no Brasil, depois estudei alguns meses com o maestro Roberto Sion, e por fim entrei na ULM onde estudei baixo com o Marinho Chaves, baixista da Jazz Sinfonica.
Pra finalizar, agradeço muito pela sua atenção e por suas palavras aqui no nosso site Luis. Por favor, deixe uma mensagem para quem está começando nesse universo dos graves.
L. Mariutti: Estude, mas principalmente, tente ter o seu estilo, q ninguem toque as suas linhas melhor do q vc, não importa se vc esteja numa banda ou acompanhando alguém o q interessa e ter o seu jeito, a sua pegada e as suas linhas. Obrigado e boa sorte a todos os baixistas.
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Parabens Giovanni e obrigado Luiz
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