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Júlio Cezar, baixista do Catedral, inicia sua coluna sobre Baixo Acustico aqui no baixista.com.br |
BAIXO ACUSTICO por Julio Cezar
Quem curte o meu trabalho com o Catedral ou instrumental sabe que eu sempre digo que não fui eu quem escolheu o contrabaixo, mas sim o contrabaixo que me escolheu!!! Pois bem depois de um tempo tocando o baixo elétrico resolvi me aventurar no contrabaixo acústico, que alguns chamam de gigante.
Procurei saber um pouco da história que cerca esse maravilhoso instrumento e vi que seu surgimento foi lá pelo século XV e lhe deram o nome de Violino Baixo, sofreu algumas mudanças com o passar do tempo. Foi usado durante muito tempo apenas com três cordas pelas orquestras até um pouco antes do século XX quando recebeu a quarta corda e ficou como o conhecemos hoje.
Voltando para o meu encontro, eu estava determinado a comprar um contrabaixo acústico de todo forma, procurei em um jornal que vendia instrumentos usados na época aqui no Rio de Janeiro e consegui o contato de um músico que estava deixando a orquestra do Rio e em consequência disso estava se desfazendo do seu instrumento, não tive dúvidas peguei o carro com um amigo que conhecia bem Copacabana e fui até lá para comprar o Gigante.
Para minha surpresa e felicidade logo que cheguei em casa, ainda na cozinha da minha mãe, “não deu nem tempo de ir para um outro cômodo”, logo o tirei da capa e toquei a música Autumn Leaves, para quem não conhece (um standard de Jazz) uma música lindíssima que eu já sabia e a usava para dar aula de walking bass e improvisação na minha antiga escola. Foi um encontro muito natural e apesar do baixo ter vindo com cordas para orquestra, mais duras para serem tocadas com o arco eu comecei a tocar com a mão (dedos) mesmo (técnica chamada de pizzicato) e ganhei com isso uma força e uma resistência nas mãos que fizeram o baixo elétrico virar um verdadeiro brinquedo de criança em minhas mãos!!!
Não acho que o que aconteceu comigo pode ser um espelho para todos que querem ter o seu encontro com o gigante, se voltarmos no tempo e pegarmos, por exemplo, um dos maiores baixistas que já tivemos no mundo que foi o Jaco Pastorius veremos que na sua história ele até tentou tocar o gigante, mas um problema no pulso o fez desistir... Na época que eu comecei a tocar era muito difícil achar as cordas específicas para o pizzicato no Brasil e eu por um motivo de não encontrar a corda certa acabei tocando com as de orquestra com uma tensão bem maior. É bem verdade que eu não tive problemas, mas isso foi graças a Deus, pois eu poderia ter tido problemas e minha história com esse maravilhoso instrumento nem teria começado direito...
Por isso volto a falar, o que aconteceu comigo não pode ser uma regra, nem deve ser imitado, hoje temos muitas lojas boas e especializadas que trazem essas cordas de fora e garantem uma melhor adaptação para cada um no instrumento, garantindo assim a saúde das mãos para cada indivíduo...
Não posso deixar de terminar esse texto sem citar alguns dos contra baixistas que muito fizeram pela música e pela exposição do nosso instrumento em todos esses anos...
Para quem não conhece, eu vou indicar alguns nomes que merecem ser ouvidos:
Slam Stewart, Charles Mingus, Rufus Reid, Ron Carter, Eddie Gomes, Charlie Haden, Dave Holland, Stanley Clarke, Brian Bromberg, são somente alguns nomes que valem a pena conferir...
Julio Cezar -
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Baixista do Catedral
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Sucinto...Groove e atitude no som!
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