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Entrevista exclusiva com o baixista do Pato Fu, Ricardo Koctus. |
ENTREVISTA RICARDO KROCTUS (PATO FU)
Desde o seu início a banda Pato Fu
sempre causou muito barulho na mídia geral com sucessos que chegaram a
participar de trilhas para novelas e diversos vídeo clipes espalhados pela programação
da MTV, isso quando a emissora ainda tinha um foco mais musical. Formado pela
voz suave de Fernanda Takai, o cientista musical John Ulhoa explorando de voz,
guitarra à loops e samples, a batida marcante da batera de Xande Tamietti e
lógico nosso foco o baixista Ricardo
Koctus fazem da pop porém sempre alternativa Pato Fu uma das propostas mais
diferentes e bem sucedidas da industria fonográfica nacional.
Conseguimos contato com o Ricardo Kroctus
que se dispôs a responder nossas perguntas nesse bate papo que rola aqui abaixo,
confira.
Ricardo Koctus tudo bem? Você sempre teve umas linhas de baixo bem
interessantes no Pato Fu. Você constrói essa linhas a partir das
bases loucas do John? Conte-nos como é o processo de criação dos
baixos do Pato Fu.
Ricardo Koctus: Sim, primeiro temos a base da
música, depois faço as linhas. Em
alguns casos faço mais de uma linha
de baixo, deixo o john trabalhar
como produtor escolhendo e até
editando, depois ouço e se achar que
está pouco "baixista" na
forma dou meus palpite e até regravo. *
O último e nono disco do Pato Fu ( Daqui pro Futuro ) foi lançado
em 2007. Vocês já estão em processo de composição de um novo álbum?
Como acontece esse processo na banda?
R. Koctus: Ainda não estamos bolando nada. Como
eu e a Fernanda estamos com
trabalho solo ficamos mais
tranqüilos com o Pato.Normalmente começamos
a ter idéias no decorrer de uma
turnê.Cada uma apresenta o que tem de
novas canções, ou mesmo antigas.
O john faz umas bases e apresenta a
todos. Escolhemos as que achamos
legais para o cd.Damos palpites de arranjos e ele faz as
mudanças que sugerimos.
Até termos as canções pronats.
Sabemos que o John tem um estúdio em casa e que ele andou
produzindo os últimos álbuns da banda. A criatividade flui melhor sem
tem um produtor dando palpites no álbum?
R. Koctus: Bom, isso depende....O john é um
ótimo produtor e trabalhar com ele é
muito fácil.Até pq ele já conhece
bem cada um de nós e sabe mesmo como
lidar com os egos de cada
um....kkkk....Mas as vezes acho que a
opinião de alguém que não é da banda
faz falta. Uma opinião mais
isenta das relações próximas que
temos.*
O que você usa com o Pato Fu no estúdio e o que muda quando vai pro
palco? (falando de setup e equipamentos)
R. Koctus: Não sou um baixista muito ligado a
equipamentos. Em estúdio uso um pré
AVALON e se usamos efeitos são
plugins dentro do computador.
Em shows eu uso meu baixo ligado em
um efeito BOSS SE-70 com o som
limpo não tem nem compressor, EQ,
nada mesmo....Uso apenas quando
quero efeitos, distorção, auto-wah,
chorus, etc.... esse efeito é
acionado via mídi junto como as
programações dos efeitos de guitarra
que tb são midi...Tiro uma saída do
efeito para um direct box que vai
pra mesa. Não uso AMPS, nem
Prés.Minha monitoração é apenas no Ear
Fone. Não uso Side nem monitores de
chão. Normalmente no palco do Pato
não temos quase nada, todos usamos
Ear Fone.
Você faz aquele famoso ensaio de cozinha com o Xandi, só baixo e
batera? Como é o ensaio do Pato Fu.
R. Koctus: kkkk.....O Pato Fu não ensaia...Quer
dizer ensaiamos umas 2 semanas
para um nova turnê. Depois de pronta
começamos os shows, daí acabam os ensaios.
Cada um faz o para casa e as vezes
relembramos uma ou outra em passagens de som.
Nunca fiz esse ensaio da cozinha no
Pato, embora ache muito
produtivo. Faço isso quando toco com
outras bandas. Mas no Pato não rola.
Como foi seu início no baixo? Como era o Ricardo antes dessa carreira?
R. Koctus: Vixiiii....Meu 1º teste foi como
vocal, fui tão mal que os caras me
pediram pra tocar tônicas dos
acordes no baixo até eles arrumarem um
baixista.
Alí me encantei pelo instrumento e
em 1985 estava tocando e cantando
em bares.Começei tocando U2, The
Cure, Smiths, Titãs, Pleb Rude, etc...
A banda era o Barra de Sabão, que
depois virou Daniele....kkkk....
Quando essa banda acabou fui cantar
no Náuplio, banda autoral.
Deixei o baixo de lado.
Sai do Náuplio e fui trabalhar na
loja do John, Guitar Shop, havia
vendido tudo e desistido de tocar.
Mas já viu né......Quando o John
montou o Sustados Por Um Gesto, fiz
um trampo de roadie na banda....Mas
a banda acabou.
Logo depois o John me chamou para
fazer baixo com ele. Era o repertório do Sustado, mas seria outro nome.
Chegamos então no Pato Fu.
Qual o maior “pesadelo” que vc já enfrentou na estrada durante os
shows?
R. Koctus: Uau....O meu maior pesadelo é
frequente....Odeio voar. E tenho que
fazer isso muito...kkkkk...
Você consegue se lembrar dos baixos que já teve ??
R. Koctus: Comecei com um Tonante, depois um
Golden, Giannini -Pró, baixos
artesanais ADEMIR, CHERUTI, um
Tobias, Warwick, Musci Man e hoje tenho meu ADEMIR, o CHERUTI e um TAJIMA que é
fantástico.*
O que influencia o seu jeito de tocar e quais são os seus
“baixistas de cabeceira” ?
R. Koctus: Não me considero muito influenciado,
gosto muito do Tony Levin no
king Crimson e no Peter Gabriel,
nunca fui amante das fitas de aula,
aula nem pensar, kkkk......
Sempre ouvi muita música.
Não tenho paciência pra ficar ali
vendo o cara fazer um monte de
escalas. Sempre gostei muito da
simplicidade mais que eficiente do Adam Clayton no U2, Flea é claro, apesar de
não gostar de SLAP, acho que o cara que sabe usar essa técnica sem dúvida é o
FELA, nada que ele faz fica chato.
Os baixista da Motown, esse são
demais. Mas quando vou criar uma linha
só me atento ao caminho da música
como um todo.
Sinto uma boa influencia de funk metal/rock nos baixos do Pato Fu, principalmente
nos 2 primeiros álbuns... Esse groove vêm de onde?
R. Koctus: Acho que é mais pelo o que rolava na
época. Era o caminho que as músicas em sua concepção tomavam. Nada planejado para
parecer ou trazer referência. Lembro de na época estar ouvindo muito Mr. Bungle
(projeto de Mike Patton ex- Faith No More) , Red Hot Chilli Peppers e Nine Inch
Nails.
Conte-nos sobre seu projeto novo.. o que nos aguarda???
R. Koctus: Esse é um projeto autoral, onde
estou cantando.
É um trabalho pop, blues, jazz,
rock....Tem de tudo um pouco. Estou bem feliz com o resultado.
Foi produzido por dois grandes
amigos o MIRANDA e o BARRAl.
Espero de verdade que as pessoas
gostem desse trabalho.
Qual a dica que vc daria para aquele moleque que está iniciando nos graves
hoje.... Quais as “pedras” que ele não precisa tropeçar?
R. Koctus: As pedras fazem parte, mas acho que
o maior erro é perder identidade,
ficar naquela de querer tocar que
nem o fulano. Copiar é muito fácil, criar é preciso de mais do que técnica ou
virtuose.
É preciso menos pra saber que é
mais.
Saber ouvir o ouvido interno dizendo
algo e seguir em frente.
Muito obrigado Ricardo, é um orgulho ter você em nossas páginas.
Deixe um recado para os leitores e baixistas do Baixista.com.br
R. Koctus: Caros leitores, fico muito feliz em
participar aqui deste bate papo.
Espero que esse ano de 2009 seja
repleto de felicidade e trabalho para todos.
Vamos em frente, porque é a cozinha
que empurra o resto!
Abraços, Ricardo Koctus.
www.myspace.com/ricardokoctus
Ayka -
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